sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ainda em exames!!! :O

Como ainda estou ainda em exames (quase a acabar mas, infelizmente, ainda em exames), não tenho tido muito tempo para escrever.

Já tenho muitas saudades do estágio neste momento, e mal vejo a hora de voltar a correr para lá a dizer "escravizem-me! escravizem-me!" hehehe, é brincadeira! As doutoras ficariam malucas se vissem isso :D, elas nunca abusaram ou se aproveitaram do facto de estar lá uma estágiaria (pronta a ser escravizada até mais não! :P). Sempre me trataram como uma colega e esforçam-se ao máximo sempre por me ensinar e explicar.

Fez-me imensa diferença, durante os exames, esta prática clínica que eu estive a ter durante os quase 3 meses. Fez-me compreender melhor toda a teoria que temos de "empinar" durante o curso, e torna todo o estudo bastante mais leve, mais coerente... enfim, faz-nos ver que realmente estamos a marrar, empinar, decorar, sofrer (...) por uma boa razão, e é isto que eu me tenho dito todos os dias, quando começo a sessão obrigatória de estudo diário.

Antes de ontem, quando saí para ir no banco rapidamente, apercebi-me que conseguia contar pelos dedos de uma mão as vezes que saí de casa desde que começou a época de exames... "Ahhh! Ar puro! E frio!!!", e senti-me um bocado enclausurada... PRECISO DE FÉRIAS!!!! :'(

Mas deixo aqui uma curiosidade, que me tenho lembrado e pensado muito em como ele estaria, para aqueles que dizem que os cãos é que sabem obedecer, os gatos são demasiado independentes e só fazem aquilo que lhes dá na telha... Aqui deixo o Pompom, um fidelíssimo cliente, já um pouco velhote, mas um gato como nunca vi e não sei se voltarei a ver algum assim tão cedo!




Aqui está o Pompom, completamente sozinho, sentado na sala de espera, enquanto a dona está na recepção a pagar. Não está aqui a mostrar mais da imagem para não aparecerem pessoas, mas logo a direita da fotografia, está um rottweiler a olhar fixamente para o gato... e o gato nem uma nem duas. Calmamente espera pela dona, como faz sempre que vem ao vet!



Não é para ficar admirado?

sábado, 3 de janeiro de 2009

Evoluções

Faz hoje três meses desde que comecei o estágio e tirei um mês para poder estudar para os exames que me faltam para acabar o curso.
Meu primeiro exame é já no dia 5 de Janeiro (sim, daqui a aproximadamente 60 horas e a fazer a contagem regressiva) e estou muito ansiosa pelo que aí vem.
Mas isso não me impede de deixar por aqui a minha evolução, desde o 1º dia de estágio até agora.

Antes de começar o estágio, durante o meu 5º ano de curso, eu executei a minha primeira cirurgia... a castração do meu gato! Ou melhor, meia castração, pois a cirurgiã fez a 1ª parte e eu prossegui com a segunda.

Durante o estágio a minha evolução foi astronómica!

A única experiência com agulhas que temos durante o curso é na cadeira de farmacologia durante o 3º ano (1º semestre), e depois assistimos a consultas hospitalares durante o 3º, 4º e 5º ano. Nestas por diversas vezes damos vacinas e injecções intramusculares e subcutâneas, mas pouco mais. Injecções na veia (endovenosas) só se tiveres mesmo muita muita sorte! Colocar catéteres endovenosos (aquilo que fica no braço quando vamos ao hospital levar soro)... nem sonhamos com tal!

E portanto, chegamos ao estágio com pouquíssima prática clínica. E esses nossos primeiros feitos, são, não só momentos que nos apavoram mas que também pelo qual ansiamos desesperadamente!
E posso dizer, neste momento com muito orgulho, que já tirei sangue pela primeira vez completamente sozinha :D a um cão internado, o cão era obviamente muito mansinho, estava internado e eles precisavam do sangue do cão para análises com urgência e a minha orientadora depositou a sua confiança em mim. Peguei na seringa, agulha, tubos de análises, algodão, álcool... falta alguma coisa? Meu coração batia tanto que parecia que saltava do peito e tremia como varas verdes no meio de uma monção! Sim, era certo que eu já tinha tirado sangue diversas vezes durante o estágio, mas sempre acompanhada por uma das médicas, a orientar, a fazer o garrote, a segurar o animal... e agora... completamente sozinha!

Vá! Coragem, se a minha orientadora confiou em mim é porque devo ser capaz! Não deve ser assim tão dificil... ou deve? Lá entrei eu pela ala dos internamento... o cão era um samoiedo... pêlos, pêlos e mais pêlos!!! Como será suposto eu chegar à veia??? Respira! Bem, vou ter de cortar um pouco os pêlos... lá vou eu buscar a máquina e... PERFEITO! Agora sim, agulha na seringa, esterilizar a zona com o álcool, fazer o garrote com a mão esquerda... lindo cãozinho, agora não te mexas, tá? (Isso é quase como dizer um cão quando o estamos a auscultar "agora respira fundo!" Facilitava muito as coisas, mas completamente impossível!). E com a mão direita... inserir a agulha na direcção da veia, fazer o refluxo e rezar! Está lá! ESTÁ LÁ!!!! YEY! Tirar o sangue o suficiente para a análise, e com o algodão da mão esquerda fazer compressão até deixar de sair sangue!
FUUUUUU! Consegui? Consegui! Consegui! Consegui! :D Lindo lindo cão!
Levei o sangue para as análises com a adrenalina ainda a pulsar pelas minhas veias e em seguida levei o cãozinho que se portou tão bem a dar um belo dum passeio!

Depois desta aventura veio a altura de colocar o meu primeiro catéter... a minha primeira tentativa foi com a enfermeira, que devo dizer que não correu pelo melhor (obviamente não por falta de motivação da enfermeira)... sim, acertei na veia, mas demorei muito tempo para fazer o resto... uma vez que nunca tinha colocado um cateter antes, penso que n seja de admirar que a primeira vez não tenha corrido às mil maravilhas. E a enfermeira voltou a colocar o cateter, ficando eu muito decepcionada por não o ter conseguido.
Mas semanas mais tarde voltei a ter outra oportunidade, desta vez com a minha orientadora... E fiz exactamente o mesmo erro... :( pronto, agora nunca mais coloco catéteres! "Vá, de novo, com confiança, tu consegues! Lembra-te que a agulha é diferente de tirar sangue e por isso não estás habituada, tens de ir mais superficial!". Eu fico muito surpreendia pelo voto de confiança "sério? Posso mesmo tentar novamente? Mas se eu falhar ficamos sem a veia... é melhor ser a Dra fazer...", ao que a Dra me responde "Não vais falhar!". E lá fui eu mais uma vez, a tremer como varas verdes, a adrenalina a pulsar novamente pelo aumento de responsabilidade... Superficial, superficial, superficial! Zás! "Vês? Eu disse-te que conseguias!", eu mal conseguia crer! Eu coloquei o meu primeiro catéter! "Vá! Do que estás a espera, os adesivos! Tens que fixá-lo" traz-me de volta a realidade.

Depois disso ainda tive a castração da Estrelinha e depois a meia castração de um gato e de um cão de colegas meus, que eu pedi a autorização e eles disseram que confiavam completamente em mim :D . Foi simplesmente fantástica e única a oportunidade. Foi exactamente como no meu gato e desta vez tive a Dra. C a orientar-me durante a cirurgia. Com uma paciência do outro mundo, foi explicando passo a passo de todos os movimentos que eu já tinha observado centenas de vezes, mas que executá-los pela primeira vez (ou mesmo segunda) é completamente diferente. É uma responsabilidade enorme, pois temos a vida dos bichinhos em nossas mãos e só isso é capaz de paralisar. A operação foi fantástica, óbviamente mais demorada do que se fosse apenas a Dra. C a executa-la e ainda me tirou fotografias para eu ter recordação da minha primeira castração :D
Eu realmente não podia ter pedido por melhores orientadoras, professoras, colegas e amigas durante este meu estágio.

Fica aqui a foto censurada da minha primeira castração de um gato macho durante o meu estágio, parece-me que muitos de vezes não iriam gostar muito se eu tivesse colocado a foto por inteiro (sim, estas são mesmo as minhas mãos a segurar um bisturi!).

E deixo aqui o filme que eu fiz do Calvin, a minha primeira castração canina, a acordar para os donos :P


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Castração - Bogeyman???

Amigos e conhecidos perguntam-me acerca da castração...

"Devo castrar?" Ao que geralmente eu respondo (tanto a cães, como gatos, tanto a machos como fêmeas) "Se não pretendes fazer criação, sim". É o que temos aprendido agora na faculdade e nos congressos, e é também aquilo que eu acredito. "Better safe than sorry!"

E a primeira reacção, geralmente do lado masculino, é "Ohhhh! Coitadinhos!"

Eu compreendo que para as pessoas seja difícil aceitar uma castração como uma coisa positiva para o animal, daí eu ter decidido escrever sobre isso no blogue.

Eu faço questão de lembrar a todos, um cão ou um gato não são Humanos (por mais que muitas vezes pareçam)! A necessidade dos animais para o cruzamento não é pelo prazer (como nos Humanos e golfinhos :P) e sim uma necessidade fisiológica. Muitas vezes esta necessidade fisiológica pode até chegar a ser dolorosa! Alguém já viu um cão aflito por existir uma cadela com cio pelas redondezas? Fica agitado, uiva, torna-se mais agressivo e muitas vezes não consegue nem andar de dores (eu já vi!).

Ah, e para quem já viu um cruzamento... hehehe... não é exactamente um mar de rosas. Nos cães, os bulbos penianos aumentam de tamanho de maneira que não possam ser retirados do interior da vagina da cadela até ao fim da ejaculação. E nos gatos existem espículas na glande do pênis para se prenderem ao interior da vagina das gatas (sim, aqueles berros que se ouvem das gatas no final, não é de prazer, é a remoção das espiculas!).

Castração se refere à ovariohisterectomia (OVH), que é a remoção cirúrgica dos ovários e do útero, ou à orquiectomia, remoção cirurgica dos testículos. São cirurgias bastante simples, embora mais no macho do que na fêmea, uma vez que na fêmea implica uma cirurgia abdominal, e são executadas diariamente na maior parte das clínicas onde se fazem cirurgias.

O porquê das castrações?
Eu vou falar somente das razões preventivas das castrações

Fêmeas - principalmente evitar cios (juntamente com os incessantes miares e choros das gatas e os pingos de sangue e perseguições por cães sempre que se vai passear, fugas e outras alterações comportamentais) e crias indesejadas (mesmo que pense que nenhum macho lhe chegue... basta uma vez!). Outras razões: prevenção de tumores mamários (é provado que a incidência de tumores mamários desce para 0,5% se a castração for efectuada antes do 1º cio e para 8 a 26% antes do 2º cio), prevenção de piômetras (infeccções uterinas), prolapsos vaginais, pseudogestações, neoplasias ovarianas, uterinas ou vaginais, controle de algumas anormalidades endócrinas (diabetes, epilepsia).

Machos - Reduz a superpopulação (já temos tantos animais nas nossas ruas, abandonados ou que já nasceram assim, a visão de "as fêmeas que se preocupem porque não é o meu macho que engravida" ou "eu tenho-o sempre debaixo de olho, ele não foge", quando há uma cadela ou gata com cio, os machos conseguem superar-se nos meios de escape! E como eu disse antes, basta uma vez! Vamos evitar mais animaizinhos nas nossas ruas), a agressividade (se a castração for feita pouco tempo após a agressividade ter começado ou antes, caso contrário é um tanto incerto), comportamentos errantes (fugas) e de micção indesejada.
Ajuda a evitar doenças relacionadas a andrógenos, incluindo prostopatias (hiperplasia prostáticas), adenomas perianais e hérnias perianais. Neoplasias testiculares, controle de epilepsia e anormalidades endócrinas.

Acham pouco? Ainda tem mais: Aumenta a expectativa de vida e diminui os riscos de doenças. Um gato castrado tem menos probabilidades de, quando está na rua, entrar em lutas territoriais ou de cruzar, sendo menor a probabilidade de contrair FIV (SIDA dos gatos - só é transmitida através do sangue, e portanto por mordidelas ou mesmo por contacto sexual), ou FeLV (leucose felina, que está presente nas salivas dos gatos e é transmitido por mordidelas, ou mesmo por partilha de refeição ou quando os gatos se lambem uns aos outros).
E nos cães também existem tumores venéreos transmissíveis!

Quando devo castrar?
Idealmente antes de atingir a puberdade. Isso varia muito com os estudos, médicos e países. Há quem prefira fazer muito cedo, mesmo antes do 1º cio ou após o 1º cio.

Castração precoce (2-5 meses):
  • Retardo no crescimento - a castração precoce atrasa o fecho das epífises ósseas, o que significa que o animal permanece em crescimento por mais tempo e terá uma estatura ligeiramente maior. Não acontece em todos os casos, mas mesmo acontecendo, não é grave.
  • Obesidade - 30% das cadelas castradas aumentam de peso devido ao aumento de apetite, porém se a ingestão de alimentos for controlada, tal não será problema. Estudos feitos mostra que não há um aumento na tal tendência devido à castração precoce.
  • Mudança de comportamento - Não há qualquer alteração em brincadeiras, monta, caça, dominância e guarda, tanto na castração precoce ou tardia. Existe no entanto, 90% de diminuição do hábito de "vadiagem" (principalmente nos machos), ou seja, de procurar fêmeas no cio ou lutas com outros machos, diminui consideravelmente a agressividade com outros machos e a marcação territorial através da micção.
  • Problemas urinários - Actualmente ainda se sabe muito pouco acerca da relação das hormonas sexuais sobre o sistema urinário dos cães e gatos. A incidência de obstrução uretral em gatos é igual em gatos castrados ou não. Em relação à incontinência urinária em cadelas, pode acontecer semana ou anos após a cirurgia, assim como em cadelas inteiras. Não há evidência que a castração, precoce ou não, irá potenciar o problema.

Eu pessoalmente prefiro a castração entre os 5-6 meses de idade em fêmeas (o primeiro cio pode aparecer aos 6 meses) e entre os 5-7 meses em gatos machos (antes da temível micção territorial em dentro de casa) e entre os 6- 9 meses (dependendo do tamanho da raça, de preferência antes de atingir a puberdade - geralmente antes de 1 ano de idade).

Não sou muito fã da castração precoce devido aos riscos anestésicos durante a cirurgia, os animais ainda são muito novos e muito pequenos, a metabolização dos anestésicos é mais lenta. Não é proibitivo, mas do meu ponto de vista é evitável.

Anticoncepcionais NÃO!!!
Muitos donos dão anticoncepcionais às cadelas e gatas, pensando ser um método mais barato e menos sofrido. Mal sabem do mal que estão fazendo ao seu bichinho...
Os anticoncepcionais têm efeitos secundários muito fortes e são as principais causas de tumores, diabetes e infecções uterinas!

A castração é a ÚNICA solução definitiva para o bem-estar dos cães e gatos, machos ou fêmeas!