terça-feira, 24 de março de 2009

O reverso da medalha

Apesar de amar ser veterinária, cuidar e tratar dos bichinhos e não trocaria esta minha profissão por nenhuma outra do mundo!
Existem sempre os senãos que conseguem entristecer/enraivecer o mais santo dos veterinários.

Desde criança que eu digo que iria ser veterinária quando crescesse... não cresci muito, mas lá estou a tornar-me veterinária :P. Mas eu dizia também que queria ser veterinária porque todos os bichinhos merecem que tratemos deles, mas nem todos os Humanos o merecem.

E hoje em dia, como veterinária, deparo-me com a situação mais frustrante de todas... bichinhos muito doentes, que precisam de tratamentos para sobreviver, que nós podemos salvar-lhes a vida, mas "ai e tal não, que é muito caro" ou então dá-lhes muito trabalho, não é conveniente ou já não têm pachorra para o bicho e mais vale deixa-lo ir e logo se arranja um novo...

Estas situações deixam-me cada vez mais triste e frustrada. Cada vez mais histórias destas acumulam-se no meu curto currículo.

No outro dia apareceu uma gatinha com uma infecção uterina bastante grave, isso porque a dona lhe dava a pílula e ainda por cima de forma errada! E a Dra. T. disse ao dono que com uma infecção uterina destas a gata iria morrer, com 100% de certeza, e que apesar dos riscos de uma cirurgia destas, a gata estar fraquinha e tudo mais, a probabilidade de ela recuperar se fizesse a cirurgia era de 70%. O dono levou-a para casa porque não queria sujeita-la à cirurgia., tinha medo que não conseguisse resistir???
Não quero nem pensar pela dor e sofrimento que a gata vai passar até morrer!

E infelizmente como este existem muitos.

Um cão com uma hérnia inguinal, a dona levou-o para a clínica e quando soube o preço da cirurgia disse que iria abate-lo! Por uma hérnia!!! A Dra. C., da qual eu tive muito orgulho na situação, disse que nunca iria fazer uma eutanásia por causa de uma hérnia inguinal, afinal o cão estava bem disposto, desperto, comia e nem tinha febre! Mas a dona não se preocupou, porque ela não o queria "eutanasiar", ela iria leva-lo ao "tio Manel" para abate-lo! Eu nem sequer queria imaginar como! Foi no momento que eu tive que sair do consultório porque não conseguia mais ouvir esta conversa. Embora no final tudo correu bem, uma vez que a filha, que nem sequer trabalhava ainda, decidiu juntar dinheiro e pagar pela cirurgia.

Quando fazer ou não fazer uma eutanásia? Este tópico daria panos para mangas, mas por enquanto só posso agradecer às médicas que me rodeiam por terem não só ética, como uma moral pela qual espero conseguir guiar e seguir.

Hoje apareceu uma cadela, com aproximadamente 5 a 6 semanas de gravidez (a gestação das cadelas é de aproximadamente 60 dias), portanto os fetos já todos formadinhos, para fazermos o aborto... ironia do destino... logo eu, que sempre fui contra o aborto, iria não só assistir como iria também auxiliar naquela cirurgia. Deu-me um nó enorme no coração.

Deixo para já aqui bem claro, quando eu digo que sou contra o aborto quero dizer que, eu não o faria e não irei aqui discutir os porquês. Mas também acredito que cada qual sabe de sua vida e por isso mesmo fui (e sou) a favor da despenalização.

Acho que esta foi a pior cirurgia a qual já assisti, e tenho a certeza que irei lembrar-me por muito tempo. No final da cirurgia (já os bebés mortos por falta de oxigenação) eu abri a placenta para ver os cachorros, por curiosidade, por respeito, não sei... simplesmente tinha de vê-los e deixá-los gravados na minha memória. Mas nunca mais o voltarei a fazer, das próximas vezes lá ficarão fechadinhos no útero como se não existissem, é o mais fácil.


Aqui mostra o utero grávido, com os 4 fetos


São 3 meninas e 1 menino ( curiosamente o segundo, o mais pequenino era o menino)


Perguntei o porquê eles fazem esta cirurgia, e a resposta é muito simples... à qual tive de concordar e pela qual voltaria a fazer esta cirurgia se algum dia viesse a ser necessário. Infelizmente nem todos os donos se preocupam. Mais vale fazermos esta cirurgia, na qual os bebés morrem suavemente, sem dar por nada, sem dor... do que obrigar os donos a esperar que os bebés nasçam e eles próprios os matem das formas mais desumanas que muitos de nós (infelizmente) já ouvimos falar e que (infelizmente) acontecem mais frequentemente do que pensamos...

Sair do mundo cor de rosa, cheio de borboletas e fadas que eu vivi até agora está a custar muito, mas infelizmente lá terá de ser... :'(

segunda-feira, 23 de março de 2009

Imagem do dia 002

Apesar de um pouco mal disposta no dia de hoje, apareceu uns bichinhos que me alegraram o dia :P

Vejam lá se não são umas fofuras?


Têm duas semaninhas de vida, devem começar a abrir os olhos agora e o conduto auditivo externo abrirá daqui a mais ou menos duas semanas. Conseguem reparar na orelhinha fechada nesta última foto do bebê na minha mão?




Este outro é um labrador de 2 meses, um irmão adoptivo que os papás humanos também arranjaram. Ele ficou muito contente com os 6 brinquedinhos novos! Chiam e mexem e tudo!
É um espectáculo!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Dúvidas - Ainda chucha? (cont)

Estive a tirar as minhas dúvidas com as vets do hospital onde estou a estagiar.

Em geral as minhas informações são as mais correctas, o "chuchar" os peluches não fará nenhum mal, a não ser que ele roa e engula alguma coisa. Mas fiquei com a ideia de que esse não seria o caso.

Parece que estes casos são bastante mais frequentes do que eu imaginava, embora como a minha orientadora me esclareceu, mais frequente em gatos.

E uma coisa que me esqueci de dizer, 5 semanas e meia não é assim tão cedo para ser retirado da mãe, outros cães foram retirados tão cedo quanto ou mais e não desenvolveram este comportamento. Esse comportamento é, como eu disse, geralmente despoletado pelo stress ou ansiedade, é possível ter-se desenvolvido quando foi retirado da mãe, mas pode ter sido outra razão qualquer.

Existe alguma ocasião especial para que isso aconteça? Por ansiedade de separação? Quando os donos ralham? Ou simplesmente quando está aborrecido?