terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Castração - Bogeyman???

Amigos e conhecidos perguntam-me acerca da castração...

"Devo castrar?" Ao que geralmente eu respondo (tanto a cães, como gatos, tanto a machos como fêmeas) "Se não pretendes fazer criação, sim". É o que temos aprendido agora na faculdade e nos congressos, e é também aquilo que eu acredito. "Better safe than sorry!"

E a primeira reacção, geralmente do lado masculino, é "Ohhhh! Coitadinhos!"

Eu compreendo que para as pessoas seja difícil aceitar uma castração como uma coisa positiva para o animal, daí eu ter decidido escrever sobre isso no blogue.

Eu faço questão de lembrar a todos, um cão ou um gato não são Humanos (por mais que muitas vezes pareçam)! A necessidade dos animais para o cruzamento não é pelo prazer (como nos Humanos e golfinhos :P) e sim uma necessidade fisiológica. Muitas vezes esta necessidade fisiológica pode até chegar a ser dolorosa! Alguém já viu um cão aflito por existir uma cadela com cio pelas redondezas? Fica agitado, uiva, torna-se mais agressivo e muitas vezes não consegue nem andar de dores (eu já vi!).

Ah, e para quem já viu um cruzamento... hehehe... não é exactamente um mar de rosas. Nos cães, os bulbos penianos aumentam de tamanho de maneira que não possam ser retirados do interior da vagina da cadela até ao fim da ejaculação. E nos gatos existem espículas na glande do pênis para se prenderem ao interior da vagina das gatas (sim, aqueles berros que se ouvem das gatas no final, não é de prazer, é a remoção das espiculas!).

Castração se refere à ovariohisterectomia (OVH), que é a remoção cirúrgica dos ovários e do útero, ou à orquiectomia, remoção cirurgica dos testículos. São cirurgias bastante simples, embora mais no macho do que na fêmea, uma vez que na fêmea implica uma cirurgia abdominal, e são executadas diariamente na maior parte das clínicas onde se fazem cirurgias.

O porquê das castrações?
Eu vou falar somente das razões preventivas das castrações

Fêmeas - principalmente evitar cios (juntamente com os incessantes miares e choros das gatas e os pingos de sangue e perseguições por cães sempre que se vai passear, fugas e outras alterações comportamentais) e crias indesejadas (mesmo que pense que nenhum macho lhe chegue... basta uma vez!). Outras razões: prevenção de tumores mamários (é provado que a incidência de tumores mamários desce para 0,5% se a castração for efectuada antes do 1º cio e para 8 a 26% antes do 2º cio), prevenção de piômetras (infeccções uterinas), prolapsos vaginais, pseudogestações, neoplasias ovarianas, uterinas ou vaginais, controle de algumas anormalidades endócrinas (diabetes, epilepsia).

Machos - Reduz a superpopulação (já temos tantos animais nas nossas ruas, abandonados ou que já nasceram assim, a visão de "as fêmeas que se preocupem porque não é o meu macho que engravida" ou "eu tenho-o sempre debaixo de olho, ele não foge", quando há uma cadela ou gata com cio, os machos conseguem superar-se nos meios de escape! E como eu disse antes, basta uma vez! Vamos evitar mais animaizinhos nas nossas ruas), a agressividade (se a castração for feita pouco tempo após a agressividade ter começado ou antes, caso contrário é um tanto incerto), comportamentos errantes (fugas) e de micção indesejada.
Ajuda a evitar doenças relacionadas a andrógenos, incluindo prostopatias (hiperplasia prostáticas), adenomas perianais e hérnias perianais. Neoplasias testiculares, controle de epilepsia e anormalidades endócrinas.

Acham pouco? Ainda tem mais: Aumenta a expectativa de vida e diminui os riscos de doenças. Um gato castrado tem menos probabilidades de, quando está na rua, entrar em lutas territoriais ou de cruzar, sendo menor a probabilidade de contrair FIV (SIDA dos gatos - só é transmitida através do sangue, e portanto por mordidelas ou mesmo por contacto sexual), ou FeLV (leucose felina, que está presente nas salivas dos gatos e é transmitido por mordidelas, ou mesmo por partilha de refeição ou quando os gatos se lambem uns aos outros).
E nos cães também existem tumores venéreos transmissíveis!

Quando devo castrar?
Idealmente antes de atingir a puberdade. Isso varia muito com os estudos, médicos e países. Há quem prefira fazer muito cedo, mesmo antes do 1º cio ou após o 1º cio.

Castração precoce (2-5 meses):
  • Retardo no crescimento - a castração precoce atrasa o fecho das epífises ósseas, o que significa que o animal permanece em crescimento por mais tempo e terá uma estatura ligeiramente maior. Não acontece em todos os casos, mas mesmo acontecendo, não é grave.
  • Obesidade - 30% das cadelas castradas aumentam de peso devido ao aumento de apetite, porém se a ingestão de alimentos for controlada, tal não será problema. Estudos feitos mostra que não há um aumento na tal tendência devido à castração precoce.
  • Mudança de comportamento - Não há qualquer alteração em brincadeiras, monta, caça, dominância e guarda, tanto na castração precoce ou tardia. Existe no entanto, 90% de diminuição do hábito de "vadiagem" (principalmente nos machos), ou seja, de procurar fêmeas no cio ou lutas com outros machos, diminui consideravelmente a agressividade com outros machos e a marcação territorial através da micção.
  • Problemas urinários - Actualmente ainda se sabe muito pouco acerca da relação das hormonas sexuais sobre o sistema urinário dos cães e gatos. A incidência de obstrução uretral em gatos é igual em gatos castrados ou não. Em relação à incontinência urinária em cadelas, pode acontecer semana ou anos após a cirurgia, assim como em cadelas inteiras. Não há evidência que a castração, precoce ou não, irá potenciar o problema.

Eu pessoalmente prefiro a castração entre os 5-6 meses de idade em fêmeas (o primeiro cio pode aparecer aos 6 meses) e entre os 5-7 meses em gatos machos (antes da temível micção territorial em dentro de casa) e entre os 6- 9 meses (dependendo do tamanho da raça, de preferência antes de atingir a puberdade - geralmente antes de 1 ano de idade).

Não sou muito fã da castração precoce devido aos riscos anestésicos durante a cirurgia, os animais ainda são muito novos e muito pequenos, a metabolização dos anestésicos é mais lenta. Não é proibitivo, mas do meu ponto de vista é evitável.

Anticoncepcionais NÃO!!!
Muitos donos dão anticoncepcionais às cadelas e gatas, pensando ser um método mais barato e menos sofrido. Mal sabem do mal que estão fazendo ao seu bichinho...
Os anticoncepcionais têm efeitos secundários muito fortes e são as principais causas de tumores, diabetes e infecções uterinas!

A castração é a ÚNICA solução definitiva para o bem-estar dos cães e gatos, machos ou fêmeas!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Adeus Pierrot

A tragédia aconteceu...

Fiquei tão em choque, triste, frustrada... que nem consegui continuar a escrever no blog.

Três dias após a primeira sessão de acupunctura teve de ser feita a eutanasia do Pierrot.

Não, não foi devido à acupunctura e penso eu, espero eu, que não poderia ter feito mais do que fiz por ele através da acupunctura, pelo menos não em apenas uma sessão!
Será que eu deveria ter feito sessões mais intensivas? Todos os dias? Pergunto-me todos os dias. Se eu apenas conseguisse prever o futuro! Mas na altura estaria eu lutando contra poliartroses (doença crónica) e não contra uma patologia aguda. Deveria eu ter feito pontos contra os vómitos? Esqueci-me de dizer, a eutanasia foi feita porque o Pierrot, infelizmente já apresentava um estado de caquexia e fraqueza muito grave, e vómitos incoersíveis.

Se a eutanasia esperasse apenas mais um dia, será que eu conseguiria ajuda-lo com uma segunda sessão? Eu tenho total confiança nas médicas e sei que a decisão que elas tomaram, juntamente com a dona do Pierrot, foi a melhor para o bichinho... Mas... será que? A frustração é tão grande...
Afinal era o meu primeiro paciente... e não podia ter corrido pior... Sei que não foi por minha culpa, sei que não poderia ter feito mais... mas... continuo a sentir o peso por dentro.

Pierrot, sinto muito por não ter feito mais, por não ter funcionado, por não ter tido tempo para... :( Vai com paz... pelo menos agora não tens dores.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Caso um - Pierrot

Para a tese do mestrado terei de apresentar pelo menos 3 casos clínicos (com a acupunctura, afinal é este o tema da minha tese), e durante algum tempo estivemos a pensar no caso ideal.
E o que é o caso ideal (perguntam vocês)?

O caso ideal tem que ter 4 aspectos importantes:
  1. Ser interessante
  2. A acupunctura poder ajudar alguma coisa no caso e ter como provar esta ajuda
  3. O dono aceitar
  4. O animal aceitar :D Isso quer dizer q o animal deverá ser meiguinho o suficiente para ser puncturado e ficar pelo menos 20 minutos quietinho com as agulhas.
E acreditem ou não, mas juntar estes 4 pormenores é extremamente complicado!

Mas então, graças à Dra. C. que me sugeriu o caso, surgiu o Pierrot! Pierrot é um gato de 14 anos com osteoartrose (aspecto 1, é interessante) - apareceu há 1 ano com dores articulares, neste momento tem as articulações inflamadas e os ossos deformados, dores e dificuldade de locomoção. E neste momento já não pode tomar corticos pois começou a fazer reacção (vómitos).

Portanto, não só a acupunctura pode realmente ajudar bastante neste caso como temos meios bastante bons e objectivos para medir a evolução (aspecto 2): fotos antes e depois, filmagens do gato a andar antes e depois, Radiografia do antes e depois, analises sanguíneas e analises específicas (anticorpos anti-nucleares e o factor reumatóide).

A dona aceitou prontamente (e ainda referiu que se não funcionar nele poderia fazer nela :D) e o gato (sim, irei fazer acupunctura num gato!) é bastante meiguinho e já lhe puncturei para mostrar a dona que não lhe provocava dor e o gato nem olhou, continuou deitadinho como estava. Inclusivé puncturei-me a mim própria na frente da dona para esta ficar completamente convencida (aspecto 3 e 4!!!).

Já tenho as fotos, a filmagem, a radiografia, ficam a faltar as análises e na próxima semana estarei mais que pronta para meter a mão na massa! :D E depois é cruzar os dedos para ter bons resultados para apresentar.

Em relação à acupunctura, ainda vou estudar melhor este caso sob a perspectiva da Medicina Tradicional Chinesa e depois entrarei em maiores detalhes. Fica aqui a lígua do gato, instrumento muito importante para o diagnóstico para a Medicina Tradicional Chinesa.

Apresentando-se neste caso avermelhada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

As cobaias

Pois é, para quem está a aprender acupunctura, uma boa cobaia é o mais importante.

Apresento-vos então as minhas vet cobaias :D


Bê (minha gata)......Preto (meu gato)..... Timon ("sobrinho")

Bem... o Preto não pode ser considerado cobaia, uma vez que quando o tento puncturar, ele consegue tirar a agulha com a boca (onde quer q ela esteja) e foge com ela! E das duas vezes que experimentei resultou comigo a correr atrás do preto completamente desesperada. :O

A Bê é bastante mais pacífica e deixa ser puncturada a vontade, não reclama e nem sequer se mexe. O único senão é que ela não tem nenhuma patologia para eu tratar (felizmente para ela!).

Mas eu felizmente tenho a minha cobaia ideal! O Timon! O filho do irmão "catatua" mais velho.

O Timon tem hipersensibilidade a ácaros e está neste momento a fazer o tratamento (as vacinas para a dessensibilizações).

As vacinas são formuladas com base em resultados com testes cutâneos ou hemograma (sangue) e serve para evitar ou diminuir a quantidade de corticoesteroides para o controle da sintomatologia do animal (quando este é necessário mais de 4-6 meses por ano ou por ineficácia da terapêutica). A resposta às vacinas é lenta, podendo ir até 1 ano. Sendo que existe sucesso da terapia em apenas 60-80% dos casos. Então, porque não dar uma mãozinha ao destino com a acupunctura, ahn?

Portanto, foi exactamente isso que "resolvemos" ( :P), dar uma mãozinha ao destino para tentar pelo menos diminuir o prurido (comichão).

E o que a acupunctura diz sobre as alergias?

A acupunctura é utilizada para restabelecer a homeostasia interna (o balança do Yin e do Yang), através da regulação do Qi (lê-se Chi - é considerada a energia do individuo) e do sangue (Shue).

Da perspectiva da Medicina Tradicional Chinesa, em todas as patologias imunomediadas herdadas ou adquiridas, existe um desequilíbrio do Zheng Qi (é uma das energias, uma parte do Qi, que é considerada a energia defensiva do organismo, que corresponde ao Sistema Imunitário isso alguns milhares de anos antes de o ocidente ter descoberto o Sistema Imunitário!). Portanto a grande eficácia da tonificação do Zheng Qi e a expulsão do Xue Qui (agentes patogénicos que provêm do exterior) tem uma grande utilidade clínica para os casos de Hipersensibilidades.

A hipersensibilidade a agentes externos é considerado uma patologia Vento-Calor, em que se observa uma língua vermelha ou ligeiramente seca e um pulso rápido.

Os pontos que eu puncturei foram:

  • GB20, BL10 e BL12 - para retirar o vento (agentes externos do corpo) e parar o prurido
  • BL17 e SP10 - para melhorar a corrente sanguínea e "matar" o vento
  • Er-jian e Wei-jian (ponta das orelhas e ponta da cauda) para diminuir o calor
A hipersensibilidade é uma patologia crónica e portanto, apenas uma sessão não é minimamente suficiente para sequer a cura sintomática, o ideal seria em momentos como estes, de uma sintomatologia mais exuberante, três sessões na 1ª semana e duas sessões por semana por pelo menos 1 mês, passando depois a uma sessão por semana, reduzindo gradualmente.

Mas nem tudo foram rosas, pois não é por menos que a alcunha do nosso querido "sobrinho" é Timonstro!!! Um cão de 2 anos que padece de uma terrível doença chamada hiperactividade (para grande desespero de seus donos). E agora o terrível momento... puncturar um cão que não para 1 único segundo quieto e que ainda por cima está cheio de comichões???

Mas foi bem melhor que o esperado, apesar dos donos terem medo de agulhas (o dono nem quis estar presente e a dona fechava os olhos cada vez que eu colocava uma agulha :D), para a surpresa de todos nós, Timon deitou-se e manteve-se relativamente quieto durante os 20 longos minutos que durou a sessão. Tirando as agulhas da ponta da orelha e da ponta da cauda que talvez tenham durado uns 20 segundos e alguns pontos que só consegui puncturar de um dos lados, ele não mostrou qualquer desconforto ou dor às picadas e manteve-se sossegado.
Conseguimos até tirar algumas (muitas) fotos de tão surpreendidas que ficamos.

Claro que a primeira coisa que o Timon fez quando retirei as agulhas foi coçar-se... bem não podemos esperar milagres numa 1ª sessão, pois não? :D Ficaremos (eu e o Timon) a espera da próxima oportunidade, não é Timon??? Lindo menino!

video

Podem ter uma perspectiva dos donos do Timon aqui

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Saudades Estrelinha...

Era uma vez uma gatinha cega... :D

Certo dia (há aproximadamente um mês atrás) uma senhora chegou ao HVet com uma caixa de papelão fechado, disse que era um gato cego muito feroz que tirou da rua e que seria para eutanasiar. Entretanto perguntou se poderia ir ao café, pois ainda não tinha tomado o seu pequeno almoço...

Trinta minutos depois... "Onde está a senhora?" A assistente vai ao café a procura... NADA! Foi-se embora e deixou-nos o gato! Sim, infelizmente ainda existe pessoas sem coração que fazem este tipo de coisas.

Bem, vamos lá ver o que ganhamos de prenda... Mal abrimos a caixa voa-nos umas garras e voltamos a fechar a caixa rapidamente... Ufff! Bem, vai ter mesmo de ser, abrimos a caixa devagarinho e um gato muito magrinho e miudinho olha para nós e faz FFFFFFFFFuu!

O gato tem a caixa cheio de fezes, a comida virada ao contrário e a cheirar muito mal... Bem, vamos por o gato numa das jaulas para nos decidirmos o q vamos fazer com ele... Deve ser novito... 5 ou 6 meses talvez, pelo tamanho...

Enquanto isso, eu encho-me de coragem, ponho as luvas de couro de protecção, enrolo meu braço com uma toalha e com uma pinça vou tirando as fezes da caixa de papelão. FFFFFFuuu, continua a bufar o gato. Quando acabo (com a luva de couro) tento fazer umas festinhas na cabeça do gato... e ele deixa! :O (Talvez só esteja assustado).

Olhamos para os olhos dele e existe 1 bolha enorme em cada olho, provavelmente provocada pela coriza que ele tem neste momento (gripe dos gatos, afecta muitas vezes os olhos provocando conjuntivite e posteriormente ulcerações oculares). Fui para casa com o coração na mão, enquanto isso a Dra. T. (se eu não me engano) consegue pegar no gato e verifica que este é uma menina afinal. E retira-a da caixa.

No dia seguinte regresso com algum medo do que esperar... será que eutanasiaram a pobre gata? Eu até consigo perceber, a gata não estava minimamente saudável, era cega, estava em muito mal-estado e qual seria o bem-estar dela? Provavelmente até seria para o melhor dela... Mas a verdade que ainda me dói muito estes casos...

Chego na clínica e... lá está a gata! :D Não só lá continua como está a ser tratada e medicada! "Vamos ver o que conseguimos fazer por ela e se a conseguimos recuperar e arranjar um dono" (Yesss!)
Entretanto começamos a medica-la 2x por dia, a gatinha tinha coriza, anemia, desidratação (muito grave), caquexia (para além do magro) e uma bola em cada olho (cega!).

Dia após dia fui tratando da medicação dela (juntamente com as outras Dras) e fui vendo que afinal ela n era assim tão má. Bufava sempre que abríamos a jaula, mas assim que lhe tocávamos na cabeça ronronava cada vez mais alto. Aos poucos fui me ligando e me dedicando cada vez mais à causa (embora provavelmente perdida logo de início).

Mando um mail com a foto da gata para todos os mails e mailing lists que eu conhecia a ver se alguém poderia ficar com a gata... será?

Duas semanas depois e ainda nenhuma resposta... está a chegar ao prazo que lhe tínhamos dado, e eu compreendia, pois o Hospital tinha tentado de tudo, além de lhe dar um abrigo e comida, deu-lhe tratamento (e não foi pouco que ela precisava) e não podia continuar com estas despesas indefinitivamente, afinal é um hospital e não uma instituição de caridade. E acreditem, este hospital fez muito mais que muitos hospitais com ala de adopção faria por um gato com estes problemas todos, e por isso estou muito orgulhosa e mesmo aliviada por estar a fazer um estágio num local assim. Mas estava a chegar a hora... e o meu coração apertava cada dia mais...

No penúltimo dia recebo um mail da sos animal! "Não deixe que nada aconteça a gata, nós conseguiremos arranjar-lhe um dono e se não puderem ficar mais tempo com ela arranjaremos-lhe uma familia de acolhimento temporário" Fuuuuuuu!

Um peso enorme sai de minhas costas, nem posso acreditar! Entro em êxtase por momentos e salto pela minha sala como se estivesse completamente maluca ( e estava!).
Corro no dia seguinte para a clínica a dar as boas notícias, que visivelmente também tirou um grande peso dos ombros de todos, um alivio geral!

A gata ainda ficou até ao final da semana conosco, onde pudemos acabar o tratamento dela, ela já estava a ficar gordita e já via alguma coisa (talvez sombras, pois conseguia saber onde estavamos e tinha reflexo de aproximação). No dia anterior à sua entrega fiquei eu e a minha orientadora na clínica, depois do horário de trabalho, para fazermos a sua castração (o local onde ela iria teria outros gatos, além de que é mais fácil de dar uma gata já castrada, e principalmente porque uma gata castrada antes do 1º cio tem uma probabilidade muito menor de tumores mamários de futuro, mas a castração será uma conversa para outro post!).

Preparo tudo para a cirurgia, como é o hábito, preparo a sala, ajudo a "depilar" a gata e esterilizo a zona da gata onde se irá proceder a cirurgia e de repente, a minha orientadora passa-me o bisturi... "Força!" :DDDD "Sério???" com os olhos muito esbugalhados, nunca tinha feito nenhuma cirurgia antes, ainda só auxiliei e observei para aprender o máximo possível para quando o dia chegasse eu estivesse pronta... Não estava!!! E agora? Esqueci-me de tudo o que aprendi, um branco completo!!! O que eu faço?? E minha orientadora repete, pois eu congelei por segundos "Vá! Força!", e finalmente o momento mais esperado de todos os meus longos 5 anos do curso... eu pego no bisturi!

A cirurgia correu... muito devagar! Esta cirurgia normalmente é feita em 30 minutos, talvez 20, eu fiz em 1 hora e meia :D Mas fiz! Com alguns desastres pelo caminho, nada que a minha orientadora não conseguisse salvar (mas aprendi com eles e com certeza nunca mais os farei!) e a tremer feito vara de bambu verde!

No final a gatinha ficou óptima (afinal depois de lhe termos conseguido ver os dentes chegamos à conclusão que ela devia ter uns 7 meses) e no dia seguinte já estava na hora de entrega-la... Mais uma vez meu coração doía, durante quase 3 semanas ela fez parte do meu dia a dia, dediquei tanto carinho e amor para ela, e sei que nesta época perdi muitos casos para estar com ela, fazer-lhe os tratamentos e brincar com ela... tenho pena de ter perdido os casos, mas não me arrependo, pois agora sei que dei o melhor que lhe poderia ter dado, que além dos tratamentos foi o meu carinho. E estou feliz por isso.

Adeus gatinha, vou ter saudades... muitas! Obrigado pela possibilidade da minha primeira cirurgia. Espero que arranjes o melhor dono do mundo. Um que te dê muito amor e carinho.

Recebi hoje a notícia da Sos animal que a gatinha está óptima, agora chama-se Estrelinha, é mesmo muito meiguinha e que está a habituar-se aos outros gatos que têm em casa e a desenrascar-se sozinha. Na próxima semana tem consulta marcada com oftalmologista veterinário para ver se se consegue recuperar a sua visão (esperemos que sim, estamos a torcer por ela). Ainda estão a procura de um dono...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Leishmaniose???

Muitos me perguntam, depois de ler o meu terceiro post o que é a leishmaniose e como se previne, pois bem, aqui vai...

Leishmaniose é uma doença provocada por um parasita (do género Leishmania) transmitido por mosquitos (vulgo "melgas").

Esta doença não tem cura, ou seja, o cão que a contenha torna-se portador para o resto da vida, embora a doença possa ser muitas vezes controlada com tratamentos e o cão possa ter uma longa e boa vida, podendo nem sequer vir a perecer, ou mesmo a demonstrar sintomatologia, desta doença.

Não existe (ainda) nenhuma vacina para prevenir a doença em Portugal, o único método de prevenção é um repelente para o mosquito através de uma pipeta (que também é eficaz contra pulgas e carraças) chamada Advantix, que deve ser colocada mensalmente, e por uma coleira, Scalibor, que também é eficaz contra carraças.

Esta doença não se transmite do cão para o dono (ou qualquer outra pessoa), uma vez que a doença tem que ser transmitida pelo mosquito para existir. Os Humanos dificilmente contraem esta doença, pois nosso sistema imunitário consegue combate-la. Para contrairmos a doença é necessário 1º que sejamos picados com um mosquito que nos inocule o parasita (a doença SÓ é transmissivel pela picada do mosquito) e 2º que o nosso sistema imunitário esteja deprimido ou suprimido para que a doença consiga avançar (doentes, transplantes, SIDA, idosos...).

Existem dois tipos de leishmaniose, a cutânea e a visceral. Na leishmaniose cutânea os nossos bichinhos têm um aspecto terrível por fora (os pêlos caem e com muitas crostas, as mucosas ficam muito sensíveis e sagram - daí o sangue a escorrer pela narina), mas geralmente tudo bem por dentro. Leishmaniose visceral é a mais preocupante, pois os nossos bichinhos têm muito bom aspecto por fora mas nem por isso por dentro, pois o parasita ataca os rins (principalmente), o fígado e até a medula óssea. Geralmente estes bichinhos acabam por se tornar Insuficientes Renais Crónicos e muitas vezes é mesmo disso que acabam por falecer.

A Leishmaniose felina também existe, mas é muito muito muito rara. Uma das doutoras da clínica onde estou a estagiar fez o seu mestrado acerca da leishmaniose e fez uma grande pesquisa acerca da leishmaniose felina e não conseguiu encontrar nenhum caso (se eu estiver errada pode me corrigir :D )

Acabando por aqui nossa pequena aula de Leishmaniose (e espero ter esclarecido todas as dúvidas), tenho boas notícias...

Conheçam o Joca! :D Sim sim, é mesmo ele! O cão com leishmaniose que acabou com pelo menos 3 rolos de papel de cozinha da clínica ao tentar estancar a hemorragia do nariz.

Para os mais curiosos, sim, ele está vivo e bem melhor. Continua a fazer algumas hemorragias nasais, mas agora ligeiras. Voltou a fazer o tratamento da Leishmaniose (agora vocês já sabem o que é!).

E outra razão porque estou muito contente hoje é a minha primeira prendinha de natal que recebi de uma das pacientes que eu e a minha orientadora estivemos a seguir durante bastante tempo e hoje trouxe-nos uma lembrancinha como agradecimento. Achei um acto tão carinhoso, apesar de eu ser apenas uma mera estagiária que apenas acompanha os casos que aparecem, mostrou que ainda assim faço alguma (por mais pequena que seja) diferença na vida de alguns desses animais, e só isso dá-me forças e uma grande motivação para continuar. É impressionante como estes pequenos gestos pode significar tanto!

Imagens do dia 001


A gatinha mais gordinha da clínica :D
Quase que cabe na transportadora!

e


A dama que queria ser o vagabundo

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Dia bom?

No fim de semana passado estive na 2ª jornada clínica de acupunctura, e acreditem, nunca esperei que fosse valer tanto a pena!
Lembram-se do acupunctor que eu falei atrás? Pois é, encontrei-o novamente! Contei-lhe que estava a estagiar e que agora, que passa a ser mestrado integrado, temos de apresentar e defender uma tese, sendo que o tema que eu escolhi tinha sido "A Medicina Tradicional Chinesa como um complemento da Medicina Veterinária".

Até a pouco tempo eu pensava que somente teria de escrever uma dissertação sobre (foi o peixe que me venderam), até que eu resolvi ir pessoalmente falar com o presidente do concelho cientifico (o big boss dos estágios) e fui informada que TENHO de apresentar casos clínicos!??? :O
Desde aí tenho andado um pouco preocupada com a situação. Ok, sei "puncturar" (é a maneira correcta de dizer, é proibido dizer "espetar" no curso :D ), e posso perfeitamente seguir protocolos já existentes para situações padrões. Mas ainda sou apenas uma "newly" da acupunctura, ainda só vou no segundo ano! Ninguém espera que eu já saiba ver situações que não são padrões e que saiba escolher os pontos ABSOLUTAMENTE SOZINHA! Oh desespero! E a última coisa que eu quero é que não se obtenha resultados devido à minha inexperiência...
Também eu quero ter a certeza que funciona, não entrei nisso cegamente devido à fé! Também preciso de "ver para crer". Sei que está mais que provado cientificamente que funciona, que existem imensos testes e artigos que o prova, nesta jornada que eu fui tinham imensos casos clínicos, muitos deles com desistências da medicina ocidental para encontrar cura, com resultados fantásticos (eu diria quase milagrosos!). Mas EU nunca vi acontecer nenhum desses casos (uma vez que também só estou a entrar neste meio agora, não acompanho clínicas e nem conheço ninguém que esteja a fazer...), o melhor que eu já vi foi: curar dor de cabeça (abençoada agulha! Estava a dias com uma dor de cabeça horrível por dormir pouco), curar um punho aberto (bem... curou por 2 anos o meu :P ), dores lombares (que eu fiz uma vez em um amigo meu os ditos pontos padrões, e pelos vistos resultou muito bem), e tentei fazer uma vez a uma amiga minha que tem problemas articulares crónicos no punho, mas os pontos foram muito dolorosos (o problema sendo já crónico e algo grave e teria de fazer mais que uma vez) e apesar de ela dizer q a dor por algum tempo suavizou, nunca mais me deixou "puncturar" (a vida é tão injusta!). E eu quero também provas de que, aquilo a que estou a dedicar anos de minha vida realmente funciona e vale a pena o esforço. Além do mais, não faço a mínima questão de fazer má figura perante do juiz na apresentação da minha tese!

Voltando ao assunto, depois de eu ter falado com o acupunctor que é uma pessoa bastante importante na Associação Portuguesa dos Profissionais Acupunctores, ele disse que no dia seguinte me apresentaria para uma das palestrantes que iria fazer uma apresentação acerca de acupunctura em equinos. E assim foi, no dia seguinte estava com os nervos em franja com o que iria acontecer... mal consegui dormir "O que iria ela pensar? O q iria ela dizer?"... um nó no estômago e vai em frente! Assim que deu o intervalo da palestra, após a comunicação da acupunctora de animais, a qual eu fiquei muito bem impressionada, lá me dirigi ao acupunctor, conforme o combinado. Ele apresentou-nos e deixou-nos a falar...
Foi bem melhor do que eu esperava. Ela aceitou ajudar-me na parte da acupunctura, ser a minha orientadora na parte da acupunctura da minha tese e ainda referiu que a partir do 2º ano eu posso perfeitamente sozinha fazer a acupunctura nos animais e que estava mesmo a precisar de pessoas para trabalhar com ela (terá sido uma dica???). Vamos ver :D

Mal podia acreditar no que me tinha acabado de acontecer. Ela é uma acupunctora muito bem conceituada que trabalha NA mesma clínica que o Dr. Pedro Choy (é o curso dele que estou a fazer) e que faz a acupunctura nos cavalos de desporto em Portugal. Estava em êxtase! Mal podia espera para contar a todos o que tinha acabado de acontecer! E enquanto pego no carro para ir almoçar à casa da minha mãe (pois já estava muito atrasada), pego no telefone para contar a novidade ao meu pai! Algo me disse que era melhor eu desligar o telemóvel, mas a rua estava absolutamente vazia, era domingo, sem carro nenhum... o que poderia acontecer???
Do nada aparece um carro de polícia em sentido contrário... SHIIIT! Disfarça, pode ser que não me tenham visto... sim, claro! Atrás de mim, o carro com a sirene ligada... que alegria!
Resultado? Minha 1ª multa! Logo eu que nunca falo ao telemóvel a conduzir! Parece impossível!!! Tinham de estragar o meu dia.

sábado, 22 de novembro de 2008

Mais um dia de trabalho

E assim chegou ao fim de mais um dia de trabalho!


Sexta feira a noite "Hum, que bom, são quase 20h e já só falta um cliente para irmos para casa! Quase parece impossível..." (penso eu), a clínica fecha as 20h, mas geralmente às sextas feiras fica tão atafulhado que raro é o dia que saio antes das 22.30h. "Bem que precisava de chegar hoje cedo a casa e relaxar, afinal este vai ser mais um fim-de-semana pesado com um seminário de acupunctura no sábado e no domingo".


Quando dou uma espreitadela à recepção da clínica, a ver o último cliente a ser chamado, entra um labrador absolutamente lindo, e com o nariz vermelho (...Ahn?), vermelho e a pingar... pera, não está a pingar, está a escorrer sangue!!! Eu devo ter parecido um pouco chocada a olhar para o animal, pois o dono olha para mim e pergunta-me "O que eu faço?" com um ar ainda mais desesperado que o meu (se é que é possível. Abro a porta de um consultório livre, acendo a luz e pego em muito papel... "por aqui!". Dou o meu melhor para lhe limpar o nariz (missão absolutamente impossível), peço para ele segurar o papel a tapar a narina que lhe escorria o sangue e corro! Corro para chamar a minha orientadora "Rápido, está um cão com sangue a escorrer do nariz!".

No caminho para a outra sala começo a pensar em diagnósticos diferenciais para a epistaxis (hemorragia nasal): "trauma, corpo estranho, neoplasia, ..."

A minha orientadora chega na sala e pergunta "leishmaniose?", ao que ele responde "Sim".
Claro! Como não pensei nisso? Como é possível que eles acertem de primeira só de olhar para o animal? Também quero!

(Já no outro dia, um cão que dizia o dono "coxeia às vezes, de vez em quando empaca, não consegue andar e depois, quando puxamos por ele, volta a andar bem novamente", e lá pensei eu: cão velho, talvez artrose, ou talvez uma displasia de anca, luxação coxo-femural... e lá foi a "C" directo ao joelho do animal "Bem me parecia, tem uma luxação da patela"!!! COMO????)
Chega a tornar-se frustrante! mas eu vou chegar lá, sei que vou!

Entretanto, 4horas depois (meia noite) ainda estavamos nós a tentar estancar a hemorragia em toalha (é como é chamado quando sai muito muito sangue), mesmo depois de tudo o que poderíamos fazer, anticoagulantes, vitamina K, adrenalina local, esponja com anticoagulantes para dentro da narina... e nada! Não, para melhorar a situação, ele de vez em quando parava, coagulava e assim que os donos estavam prontos para o levar para casa, o Joca dava um daqueles espirros, jorrava o sangue e expulsava o coagulo que lá estava tão bem a estancar... e lá começava tudo de novo! Infelizmente o Hvet ainda não tem banco de sangue, tivemos que o mandar para um hospital de lisboa, abertos 24h, com banco de sangue, uma vez que o bichinho começava a ficar um pouco pálido e cansado. Assim não poderíamos arriscar que ele passasse a noite...

Acham que o meu pijama (sim, é mesmo assim que se chama) está sujo? Deviam ver a bata da minha orientadora que estava mesmo na frente do Joca em dois dos seus 4 espirros! :D

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E a acupunctura?

A acupunctura entrou em minha vida por volta de 3 anos atrás, durante o meu 3º ano do curso de Medicina veterinária, graças à um amigo de família e acupunctor.
Eu já conhecia a acupunctura e outras medicinas holísticas, sempre fui grande fã. Mas foi há 3 anos que descobri que existia este curso de Medicina Tradicional Chinesa (que é constituído por acupunctura e fitoterapia) em Lisboa, e melhor ainda, que poderia ser aplicada aos animais.

Foi neste momento que toda a minha existencia fez algum sentido! A acupunctura sempre me fez todo o sentido, e está comprovada cientificamente por uma data de testes, existem artigos cientificos e livros muito bons, porque não utilizá-la para os nossos animais??? Porque não complementar a medicina ocidental com a medicina oriental, em todos os imensos "buracos" que existem na ocidental? Existem tantas patologias que a medicina ocidental não consegue fazer nada... Porque não? Patologias crónicas, patologias do sistema imunitário, patologias do sistema musculo-esquelético (hérnias!)... tudo isso é possível de ser tratado com a medicina tradicional chinesa (MTC)! :O E como se não bastasse, ainda serve para aumentar o bem-estar dos bichinos quando existe dor. Era mesmo isso que eu andava à procura!

Durante o meu 4º ano de MV, finalmente inscrevi-me no curso de MTC. Fiz o 1º ano do curso e tranquei a matrícula durante o 5º ano para conseguir acabar o curso de MV (não é fácil conciliar os 2 cursos!). O curso de MTC é constituído por 5 anos e mais um estágio de 3 meses (que eu faço questão de fazer) na China. O curso é 1 ou 2 fins-de-semanas intensivos por mês e temos um exame final da matéria leccionada no ano inteiro! Que não é nada fácil! Damos nestes fins-de-semana a mesma matéria que alunos com melhores disponibilidades de tempo dão no curso diário, ou seja tudo muito mais resumido e muito menos explicadinho (Pobre de nós!).

Voltei a inscrever-me e agora estou no 2º ano do curso, assistindo aulas aos fins-de-semana, seminários e aulas extra-curriculares nos fins-de-semana livres (também de MTC) e trabalhando como estágiária no Hvet... Ahhhh, e quase que me esquecia! Ainda tenho uma tese para escrever e exames por fazer (em Janeiro e em Junho)... pobre mim! :(

Mas sabem que mais??? Estou completamente e absolutamente a AMAR! São duas coisas que eu adoro fazer e aprender cada vez mais e não só! Tem sido os melhores momentos de minha vida! Divirto-me imenso e tenho conhecido pessoas absolutamente fantásticas, que me ensinam imenso, me apoiam e puxam imenso por mim (um grande agradecimento a todo o pessoal do Hvet! Sr(a)s Dr(a)s, Sra Enfermeira (futura Sra Dra) e inclusivé às assistentes, eu tive mesmo muito sorte).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como tudo começou???

Minha mãe costumava chamar-me de São Francisco devido à grande ligação que, desde nova, tinha com os animais.
Anos mais tarde, tive a possibilidade de escolher qualquer Universidade e qualquer curso que eu quisesse! O que me levou a um longo período de introspecção e meditação... "o que queria eu fazer para o resto da minha vida? Qual seria a minha profissão de sonho?".
Vamos lá ver, do que eu gosto? No 9º ano a orientadora escolar não foi de grande ajuda... "sairás bem em qualquer das áreas" (Thanks a lot!). Pensei em psicologia(?), advocacia(?), medicina(!!!)... SIM, medicina! Sempre gostei muito da área das ciências e biologia e a ideia de poder ajudar e de curar vinha realmente de encontro ao que eu procurava... Mas do que eu realmente gosto??? Crianças e animais! Sim! Aqueles que não conseguem falar por si, inocentes e indefesos. Então... pediatria ou veterinária? :D... DEFINITELY VET!!! E foi neste momento que uma "luz" acendeu na minha vida, e tudo passou a fazer sentido.
E assim entrei na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, único curso ou faculdade a que concorri, era bom que entrasse! :D

Passaram os 6 anos mais duros, mas ao mesmo tempo, mais "fulfilling" da minha vida.
Muito estudo, muito tempo a decorar, muito pouco tempo livre! Mas eu gostava do desafio.
Conheci pessoas fantásticas, que percorreram comigo este longo e penoso caminho, com muito apoio e risos (também muito necessários obviamente!) que agora são grandes amigas e muito importantes para a minha vida, sem elas tenho certeza que não o teria conseguido ou que pelo menos o percurso teria custado bastante mais. (Eu sei que estão a ler e deixo aqui a minha homenagem e agradecimento! Adoro-vos :D)
E agora este desafio está quase a ser vencido... Finalmente entrei no estágio! o último percurso antes de finalmente ser a Sra Dra. ... Tão perto mas no entanto tão distante. Ainda tenho 1 ano inteiro a estagiar antes de entregar a minha tese de mestrado.
E é exactamente sobre este último percurso que vou escrever, todas as minhas aventuras e desventuras do estágio e fora dele.

Nunca fiz questão sobre escrever um blog... não tenho muito jeito para escrever e imaginei que ninguém teria interesse em qualquer coisa que eu escrevesse num site qualquer da Internet...
Mas tenho passado tantos momentos fantásticos, aprendido tanta coisa, que seria uma pena que a única recordação que eu tivesse deste ano seria as 5 páginas com números e estatísticas do relatório inserido numa tese de mestrado!
Então decidi fazer este blog... mesmo que ninguém o leia ou acompanhe, eu sinto-me mais rica por o ter, para um dia mais tarde poder voltar a ler e a recordar estes momentos tão importantes da minha vida profissional e pessoal.

Nota: As imagens junto ao título, são de um cachorro e um gatinho, ambos com apenas um dia de idade, que eu assisti no Hospital Veterinário (Hvet). Ambos com um longo percurso, muito para aprender e desenvolver... como eu!